Bem, durante todos esses anos de projetos em e para Prefeituras vou contar aqui dois casos interessantes, para não dizer engraçados; vou ocultar os nomes dos personagens reais pois isso poderia causar problemas visto que os personagens ainda estão na ativa.
Costumo dizer que as coisas no ambiente do poder público são muito diferentes da vida normal, ou seja, das empresas privadas; até o linguajar é outro; além disso, por melhor que eles sejam, todos desconfiam das pretensões dos nossos governantes.Vejam o que aconteceu em uma das primeiras visitas de fiscalização do banco em uma grande Prefeitura do Estado de São Paulo e também o que aconteceu em outra visita, a uma cidade do litoral:
No primeiro caso, estávamos fazendo uma palestra sobre as ações que a Prefeitura desenvolvia no âmbito do PMAT quando tocamos no assunto da ‘capacitação de servidores’; como o assunto era informática, a pessoa do banco que estava assistindo a apresentação logo levantou a mão, dizendo : ‘espera um pouco, falar em capacitação nesse projeto tem tudo a ver, mas…….. servidores ?? como é que vocês pretendem capacitar máquinas ? isso eu não consigo entender !!!’Vejam, ela estava pensando em computadores que funcionam como servidores, seja de aplicações, seja de bancos de dados, de e-mail’s, etc…… só que nós estávamos começando a falar em capacitação de servidores públicos, ou seja, gente; funcionários da Prefeitura que deveriam ser capacitados para melhor atender o público, melhor fiscalizar, etc, etc ….. nada mais pertinente em um projeto de modernização, não é ?Estão vendo como até o linguajar em uma Prefeitura é diferente do da iniciativa privada ?
Em outra ocasião, em uma visita prévia do banco à uma cidade do litoral para saber se aquilo que tínhamos colocado no Projeto era realmente o que a Prefeitura precisava para se modernizar, o técnico do banco deu de cara com uma ação de compra de ‘veículos para fiscalização’; nada menos do que dois barcos. “Dois barcos ? isso eu nunca ví em lugar nenhum do país; pra que vocês querem comprar dois barcos ?” disse o técnico, já emendando: “comprar carro ou motocicletas para fiscalizar lançamento de impostos eu entendo, mas barcos ? isso não posso aprovar, vão falar lá no banco que o Prefeito quer andar de barco nos finais de semana às custas do PMAT”, disse ele brincando mas com uma pitada de malícia.E como explicar para que estávamos pedindo os barcos ? Somente após no dia seguinte levarmos o técnico para visita à uma área de palafitas onde não dá pra chegar por terra foi que ele conseguiu compreender e aprovar a solicitação dos barcos; eram modelos muito simples, de alumínio e com um pequeno motor de popa, que Prefeito nenhum usaria para passeios em finais de semana.
Semana que vem tem mais……